18 abril, 2010

Mônica e Magali.

Hoje pela manhã, estava lembrando com um misto de alegria e tristeza, dos meus primeiros animais de estimação. Alegrias, pelos momentos de risadas, trapalhadas, bobagens. E triste, por que, infelizmente, já se foram.

Era começo de noite, e estávamos no carro, eu, minha mãe, e minhas duas irmãs. Todos, voltando do dentista. Tudo estava normal, quando de repente, passa uma senhora com um filhote de cachorro, enrolado em um cobertor. Para nossa surpresa, ela nos oferece o pequeno animal. Como vocês sabem, haviam três crianças no carro, e claro, insistimos muito para minha mãe comprá-lo. Ela ainda tentou lutar contra nossa vontade, mas acabou cedendo. Assinou um cheque, que por sinal, eu não me recordo o valor. E foi assim! Pela primeira vez na vida, eu tinha um animal de estimação!
Quando desenrolamos a coberta daquele pequeno ser, vimos que se tratava de uma Pinscher fêmea. Era tão pequena, que dava até receio de machucá-la. Colocamos a pequena cachorra no banco de trás do carro, que acabou fazendo xixi lá mesmo. Pois é, era pequena mas já dava mostras do trabalho que iria dar. Bom, colocamos um pano, e seguimos nossa viagem até em casa. Quando chegamos, demos o nome de Mônica. Não sei ao certo o significado, o que levou ela ter esse nome, mas já estava decidido. Nas primeiras noites em nossa casa, Mônica passou no banheiro, e é claro, chorando muito, sentindo falta da mãe. Um sufoco nas primeiras semanas. Mas o tempo foi passando, e ela se acostumando.
A pequena Mônica, tinha latidos ardidos, e fazia sujeira por toda a casa. Tudo valia a pena, por que ela era o xodó, o novo amor da casa. Isso estendeu-se por uns dois anos, até chegar a Magali!
A Magali, veio através de um companheiro de trabalho da minha mãe. Uma pequena pastora alemã, que parecia um urso de pelúcia quando chegou em casa. Agora tínhamos duas coisas minúsculas pra dividir atenção em casa! A Mônica e Magali. É, eu não via a hora de voltar o mais rápido possível pra casa, todos os dias, para poder ficar com essas cachorras. A Mônica, obviamente, estranhou a presença da Magali no início, mas aos poucos foi se adaptando com ela. De uma forma, incrível. As duas já não viviam separadas. Comiam juntas, dormiam juntas. Até que um dia, passou alguém, atravessou o braço pelo nosso portão e levou a Mônica. Tomaram de nós, não só a cachorra. Mas a alegria, o sorriso, o amor. Como alguém pôde fazer isso!? Acabaram com uma parte de nós, que, apesar de ser um animal, já fazia parte da família. Era essencial a sua presença. O mais triste dessa história, era ver a expressão de tristeza da Magali. Ela passou dias sem colocar um pingo de ração na boca.
E assim, terminou a trajetória da Mônica, em nossa família. Nunca mais a vimos, nem obtivemos notícias a seu respeito. Todos em casa sentiram a perda daquela Pinscher que conseguia ser insuportável e indispensável ao mesmo tempo. Sobrou apenas a Magali. Que jamais, se acostumou com a presença de outro animal! Tivemos gato atrás de gato, mas sempre, cada um no seu canto. Um em cada lado da casa, sempre separados por uma porta. E a Magali era assim, uma cachorra incrivelmente amável,. Adorava lamber, pular, latir. Cada vez que via alguém era sempre a mesa reação. Uma mistura de alegria com mais alegria ainda! Balançava o rabo pra todo ser humano que cruzava o seu caminho! Só tinha tamanho, por que jamais mordeu alguém, ou protegeu nossa casa de ladrão. na verdade, ela assustava, por que latia demais, mas nada além disso. Até brincávamos com a situação, dizendo que era perigoso ela dar a chave de casa pra algum ladrão. E assim fomos indo, até que se passaram anos e anos. E a idade já havia chegado pra Magali. Depois de anos fazendo bagunça pela casa, a Magali já não aparentava a mesma alegria. Mesmo assim, quando nos avistava, tentava esboçar uma alegria. Contra a idade não há o que fazer. Aquela bolinha de pêlos que chegava em casa há 15 anos atrás, estava cansada. Já não tinhas mais forças pra lutar. Cada vez que olhava aquele carinha triste, eu me controlava pra não chorar. Tentamos de tudo. Remédios, tratamentos. Mas, realmente, não dava mais. O veterinário infelizmente disse que pra acabar com o sofrimento dela, só com o pior método possível. O sacrifício. Era outro forte golpe no coração de todos em casa. E, numa tarde de terça-feira, assim aconteceu. O carro do veterinário veio levar embora, mais um pedaço desta família. Dei-lhe um último abraço, e uma lágrima muito profunda caiu de meus olhos e escorreu entre seus pêlos. Que cena triste. Você olhando sua cachorra ir embora, sem poder fazer nada, e sabendo que ela estava há poucas horas da morte. Mas, no fundo, sabíamos que era a melhor escolha. Era melhor não ter, do que ter e a ver sofrendo.
E foi assim, esta rápida passagem dessas duas alegrias em nossas vidas. Uma saudade imensa ainda toma conta de mim. E pelo jeito, sempre tomará.

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